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Governo suspende 3,4 milhões de multas de pedágios eletrônicos

Deliberação do Contran modifica formas de notificação de motoristas

Governo suspende 3,4 milhões de multas de pedágios eletrônicos
Governo suspende 3,4 milhões de multas de pedágios eletrônicos (Foto: Reprodução)

Motoristas que passaram por rodovias com pedágio eletrônico (sem cabines) e foram multados terão uma nova chance de quitar seus débitos. É que o governo federal suspendeu 3,4 milhões de multas aplicadas no sistema free flow, que usa pórticos eletrônicos para cobrar apenas pelo trecho percorrido.

A decisão foi anunciada nesta terça-feira (28) pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), e prevê até 200 dias para que os usuários quitem débitos de tarifas. Durante esse período, novas multas por falta de pagamento ficam suspensas.

Segundo o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, essa nova deliberação do Contran é uma medida de justiça, porque a maioria das pessoas que foram multadas não receberam a devida informação sobre como efetuar o pagamento do pedágio no novo sistema.

“Uma inovação tecnológica, ela tem que vir em benefício do cidadão, não em prejuízo do cidadão. O preço do pedágio é R$ 5. O preço da multa de evasão de pedágio é R$ 200. Nós estamos falando aqui de 40 vezes mais. E essas pessoas receberam essa multa de R$ 200, R$ 195, sem ter, muitas vezes, a informação de como elas deveriam pagar. Às vezes não sabiam que teriam que ter a tag, não sabiam que aquilo era um pedágio. Isso acaba levando a uma ideia de pegadinha.”

O ministro explicou ainda que houve uma inversão na lógica de que o usuário precisava ir atrás da concessionária, pelo site ou aplicativo, para poder pagar.

“Agora, com essa definição do Contran e do nosso governo, nós vamos inverter essa lógica, porque a tarifa de pedágio devida, ela vai chegar na CNH digital dos próprios motoristas. Nós estamos falando de uma medida de facilitação, de uma medida de transparência”

Para o ministro dos Transportes e presidente do Contran, George Santoro, a expectativa nesse período de transição é corrigir falhas operacionais e consolidar o sistema, que deve voltar a funcionar com fiscalização plena após o fim do prazo de 200 dias.

“Os usuários de concessões federais, praticamente em 75%, em alguns casos 80% já tem o tagzinho dos meios de pagamento que passa, já faz a cobrança. E isso faz com que tenha pouco problema. Quando a gente trata dos outros 20%, no governo federal, pelas nossas concessões, a gente tem informação que inadimplência é 4%, ou seja, o nosso nível de problema é pequeno, mas mesmo 4% geram um número muito expressivo de pessoas com multa.”

As concessionárias terão até 100 dias para adaptar seus sistemas e concentrar as informações na plataforma do aplicativo da CNH. Enquanto isso, os usuários ainda devem consultar e pagar as tarifas diretamente nos canais das empresas responsáveis pelas rodovias, que são obrigadas a disponibilizar meios de acesso às informações. Também está previsto o ressarcimento para quem já pagou multas, desde que regularize a tarifa correspondente dentro do prazo estabelecido.

Outro ponto questionado pelo ministro Guilherme Boulos foi o modelo de pedágio implementado no estado de São Paulo. Segundo Boulos, não é razoável que se implementem pedágios dentro das áreas urbanas.

“Quer dizer, você vai para a casa da sua sogra e você vai pagar um pedágio? Não é razoável”.

O sistema free flow é um modelo que dispensa praças físicas de pedágio e utiliza pórticos eletrônicos para registrar a placa dos veículos. Ele começou a ser implantado no Brasil em 2023, com a proposta é tornar o trânsito mais fluído e a cobrança mais justa.

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